06 de outubro de 2009 às 17h17min

Produção de algas beneficia comunidades litorâneas

Por Fapes.
Vanessa Pinheiro

Morador do povoado de Misericórdia na Ilha de Itaparica, Carlos José dos Santos sempre teve a pesca como seu principal meio de sobrevivência. Aos 37 anos com três filhos já crescidos, José pensou em sair da comunidade pela insatisfação com sua renda mensal, mas atualmente está interessado em ser um dos beneficiados pelo projeto Cultivo de Algas Marinhas da Bahia Pesca, empresa pioneira na elaboração de planos sustentáveis que envolvem a pesca e a aquicultura. Misericórdia foi uma das áreas contempladas para a implantação de cinco fazendas marinhas para o cultivo de algas até agosto do ano que vem.

A produção de algas marinhas, por ser outra alternativa de renda, pode beneficiar diversas famílias que vivem no entorno da Baía de Todos os Santos e de suas águas tiram o sustento. É responsabilidade da FAPES dar andamento ao projeto, fiscalizar e assegurar a instalação de balsas de cultivo até o final do convênio. “Já foi implantado o primeiro módulo em Manguinhos e até o fim do ano será implantado os primeiros em Misericórdia e Saubara”, explica o biólogo e coordenador do projeto Fernando Moschen.

Moradores aprendem a instalar balsas de cultivo

Moradores aprendem a instalar balsas de cultivo

Segundo Geraldo Santana coordenador administrativo da Fundação, só a implantação do projeto não seria o suficiente para os pescadores aproveitarem o máximo da colheita e serem autosustentáveis com a produção, um dos motivos que resultou no curso “Cultivo de Algas Marinhas” voltado para a comunidade das três regiões contempladas.

Além de destacar os benefícios ambientais, o curso trouxe para a comunidade o conhecimento sobre a alga cultivada (Gracilaria sp.) e a estimativa de produção. “Como treinamento, os participantes do curso de Manguinhos aprenderam a instalar uma de balsa de cultivo com uma aula prática”, destacou Fernando que acompanha de perto as instalações e realiza os cursos nas comunidades.

Considerando que cada área possui dois hectares e que comportam 10 balsas de cultivo, o projeto de pode chegar a beneficiar 10 famílias por comunidade e quando estiver em pleno funcionamento o retorno financeiro mensal para cada família é de no mínimo dois salários mínimos.

Material produzido após o treinamento

Material produzido após o treinamento

Uma vantagem do cultivo de algas, principalmente para comunidades carentes é que só se adquire as mudas no início do cultivo, diferentemente da produção de outros organismos como peixes e camarões que é necessário comprar as formas jovens e até mesmo rações. “No momento da colheita para comercialização, 20% são mantidas no cultivo para serem utilizadas como mudas para o replantio” acrescentou o biólogo.

ALGA MARINHA GRACILARIA

Tipo de alga comum no litoral brasileiro, a Gracilaria, quando cultivada pode ser colhida para secagem e comercialização cerca de quatro meses após o plantio das mudas. As espécies pertencentes ao gênero são cada vez mais empregadas para a produção de Agar, substância extraída das algas utilizada nas indústrias alimentícias, químicas e farmacêutica e a sua produção tem sido consideravelmente aumentada por meio do desenvolvimento de técnicas de cultivo.

A produção brasileira de algas é comercializada para o mercado internacional para países como o Japão, Argentina, Uruguai, Bolívia e vendida internamente a grandes empresas nacionais e transnacionais. Existem também indústrias no Chile e na Argentina que importam Gracilaria do Brasil. Mesmo exportando, o Brasil importa anualmente cerca de US$ 20 milhões de algas secas e de ingredientes a base de algas marinhas por ano.

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